terça-feira, 7 de abril de 2015

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO





                                                                                                                                  G. SANTOS DIAS



 
                     
                    EPÍGRAFE


A sala do castelo é deserta e espelhada.


Tenho medo de Mim. Quem sou? Donde cheguei?...
Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
A cor morreu - e até o ar é uma ruína...
Vem d'Outro tempo a luz que me ilumina -
Um som opaco me dilui  em Rei...






MARIO DE SÁ-CARNEIRO









segunda-feira, 6 de abril de 2015

in memoriam














Nas duas últimas semanas de Março passado A Vida ceifoi-me dois amigos. 

Neste início calmo de Primavera que tudo renova, levou-os, no Outono de suas vidas, para o outro lado do mundo. Quer à minha cunhada, quer ao meu cunhado, faltou-me dizer o quanto gostava deles. Quando mo propus fazê-lo já não foi possível. Quer uma, quer outro, não esperaram por mim.

Porque é que as pessoas não dizem o tão simples, gosto muito de ti

Ambos foram trabalhadores, amantes dos Lares que construiram, cultos. Os dois me receberam bem nas suas Famílias quando casei. Tinham sempre algo de amável para me dizer e era assim que se iniciavam as nossas conversas. Jamais lhes ouvi uma crítica. Jamais me negaram um favor. Os seus sorrisos bastavam para a comunicação de fazer sentir. Eram bem dispostos e gostavam da Vida e de viver.

Paradigma central deste vai e vem, deste nascer e morrer, da renovação que a Primavera nos tráz, ambos aguardavam o nascimento de netos.

 Foram-se sem que lhes dissesse que gostava de ambos.


                                                                    G. Santos Dias







E a Vida foi, e é assim, e não melhora


E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inútil. Tudo ilusão.
Quantos não cismam nisso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!

Mas  a Arte, o Lar, um filho, António? Embora!
Quimeras, sonhos, bolas de sabão.
E a tortura do Além e quem lá mora!
Isso é, talvez, minha única aflição.

Toda a dor pode suportar-se, toda!
Mesmo a da noiva morta em plena boda,
Que por mortalha leva ... esse que traz.

Mas uma não: é a dor do pensamento!
Ai quem me dera entrar esse convento
Que há além da Morte e que se chama A Paz!




ANTÓNIO NOBRE













































sexta-feira, 3 de abril de 2015

AOS AMIGOS




                            AOS AMIGOS





Amo devagar os amigos que são tristes com cinco                                                        dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados,                                                                fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente  dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.










HELBERTO HELDER
     OFÍCIO CANTANTE
      poesia completa







terça-feira, 24 de março de 2015

HELBERTO HELDER citado por Frederico Lourenço em a Introdução à Ilíada (Homero).







"A escrita suprema de imaginar por música as coisas".



                                              
                                                      HERBERTO HELDER